2ª-feira. Sto. André Ap., festa
Ofício festivo do comum dos Apóstolos.
Às Laudes e Vésperas: ants. prs. e sls. festivos. 
Missa pr: Pf dos Apóstolos I ou II.
Leituras prs: Rm 10,9-18; Mt 4,18-22.

LEITURA BÍBLICA

Da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 1,18 - 2,5

Os apóstolos anunciam a cruz

Irmãos: A pregação da cruz é loucura para os que se perdem, mas para os que são salvos, para nós, ela é força de Deus. 19 Pois está escrito: Destruirei a sabedoria dos sábios e confundirei a inteligência dos inteligentes. 20 Onde está o sábio? Onde o homem culto? Onde o argumentador deste mundo? Aliás, Deus não reduziu à loucura a sabedoria deste mundo?

21 De fato, pela sabedoria de Deus, o mundo não foi capaz de reconhecer a Deus através da sabedoria, mas Deus quis salvar os que creem, pela loucura da pregação. 22 Pois tanto os judeus pedem si­nais, como os gregos buscam sabedoria. 23 Nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pa­gãos. 24 Mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus. 25 Pois o que é loucura de Deus é mais sábio que os homens e o que é fraqueza de Deus é mais forte que os homens.

26 De fato, irmãos, reparai em vós mesmos, os chamados: não há entre vós muitos sábios de sabedoria humana nem muitos pode­rosos nem muitos de família nobre. 27 Mas o que para o mundo é loucura, Deus o escolheu para envergonhar os sábios, e o que para o mundo é fraqueza, Deus o escolheu para envergonhar o que é forte. 28 Deus escolheu o que no mundo não tem nome nem prestígio, aquilo que é nada, para assim mostrar a nulidade dos que são alguma coisa. 29 Assim, ninguém poderá gloriar-se diante de Deus. 30 É gra­ças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus, sabedoria, justiça, santificação e libertação, 31 para que, como está escrito, quem se gloria, glorie-se no Senhor.

2,1 Irmãos, quando fui até vós anunciar-vos o mistério de Deus, não recorri à oratória ou ao prestígio da sabedoria. 2 Pois, entre vós, não julguei saber coisa alguma, a não ser Jesus Cristo, e este, crucificado. 3 Aliás, estive junto de vós com fraqueza e receio e com muito tremor. 4 Também a minha palavra e a minha pregação não se apoiavam na persuasão da sabedoria, mas eram uma demonstração do poder do Espírito, 5 para que a vossa fé se baseasse no poder de Deus e não na sabedoria dos homens.

LEITURA PATRÍSTICA

Dos Sermões de São Bernardo, abade (Sermo 1 de S. Andrea, 1.5.10: EC 5, 427.430.433)

Quem está consumado na caridade abraça a cruz com ardor

Celebrando hoje o glorioso triunfo de Santo André, exulta­mos e nos deleitamos com as palavras cheias de graça que saíam de sua boca. Certamente não pode haver lugar para tristeza quando ve­mos que se alegrava tão intensamente. Nenhum de nós sentiu com­paixão ao vê-lo sofrer tanto nem ousou chorar por um homem que exultava. Com efeito, quando André era conduzido para a cruz, o povo quis impedir o seu suplício, aflito por ver um justo e santo con­denado. Mas ele, por uma prece instantíssima, impediu-os com mais força ainda de privá-lo da coroa, ou melhor, do sofrimento. Desejava desaparecer e estar com Cristo, mas na cruz que sempre amara. De­sejava entrar no reino, mas pelo patíbulo.

Que disse ele à sua amada? «Por ti me receba quem por ti me redimiu». Portanto, se o amamos, alegremo-nos com ele, não só por­que foi coroado, mas também crucificado, pois Deus realizou o de­sejo do seu coração e colocou uma coroa de ouro em sua cabeça (Sl 20[21],3.4). Todavia, ao nos rejubilarmos com ele, vendo-o gozar merecidamente do abraço da cruz que tanto desejou, seria surpreen­dente que não nos admirássemos dessa sua alegria, que nos faz reju­bilar.

Podemos considerar três graus: o dos iniciantes, o dos que progridem e o dos perfeitos. O princípio da sabedoria é o temor do Senhor (Sl 111[112],10), o progresso nela é a esperança, e sua ple­nitude, a caridade. Escuta o Apóstolo que diz: A caridade é a pleni­tude da lei (Rm 13,10). Quem começa pelo temor suporta a cruz de Cristo na paciência; quem progride na esperança leva-a de boa von­tade; e quem está consumado na caridade passa a abraçá-la com ar­dor. Só este último pode dizer: «Sempre te amei e desejei o teu abraço».

Feliz a alma que chegar a esse estado de caridade! Mas não devemos desesperar de nós mesmos, porque, se celebramos a me­mória de quem o atingiu, é sobretudo para invocar o seu auxilio e sermos estimulados pelo seu exemplo. Se dizes que não podes seguir o exemplo de Santo André por ser ele um apóstolo e tu um fraco, tem ao menos vergonha de não imitar os que estão junto de ti. Nin­guém atinge o cume de repente: é subindo devagar, e não voando, que se chega ao topo da escada.